Quem dominou a conversa sobre o Mundial esta semana?

17–24 de junho de 2026

A cobertura mediática do Mundial passou esta semana da fase de antecipação para a fase da confirmação em campo. Recordes, lesões, cultura dos adeptos e a pressão sobre o país anfitrião moldaram a narrativa.

A principal conclusão não é apenas quais as seleções mais mencionadas, mas sim perceber porque é que algumas equipas atraíram uma atenção mediática muito superior àquela que a sua posição desportiva justificaria e porque motivo a conversa nas redes sociais nem sempre acompanhou a agenda editorial dos meios de comunicação.

Destaques da Semana

  • Lionel Messi dominou a cobertura editorial. A Argentina liderou a cobertura nos meios de comunicação, com 1,02 milhões de referências, impulsionadas pelos golos históricos de Messi frente à Áustria, a 22 de junho.
  • O México dominou a conversa global nas diferentes plataformas. A seleção mexicana alcançou 1,4 milhões de menções no conjunto das plataformas, beneficiando de uma campanha perfeita na fase de grupos, do entusiasmo do país anfitrião e da viralização da história do pato Merlin.
  • O ranking FIFA não explicou, por si só, a cobertura mediática. Argentina, Inglaterra, Portugal e Estados Unidos receberam muito mais atenção mediática do que aquela que seria expectável com base apenas na sua classificação FIFA. Em contrapartida, México, Brasil, Suíça e Marrocos obtiveram uma visibilidade inferior ao esperado.
  • Inglaterra vs. Croácia foi o jogo com a narrativa mediática mais forte. Embora Argentina vs. Áustria tenha gerado o maior pico de cobertura num único dia, Inglaterra vs. Croácia produziu a narrativa mais consistente e prolongada ao longo da semana.
  • A influência dos temas controversos diminuiu de 20% para 12%, mas tornou-se mais negativa. Dos 155 artigos classificados como relacionados com temas sensíveis, 107 apresentaram um enquadramento negativo.

Painel de Abertura | 17–24 de junho de 2026

Durante esta semana foram registados 4,02 milhões de conteúdos relacionados com futebol, incluindo 3,02 milhões de publicações nas redes sociais, 176,63 milhões de interações e um alcance potencial de 78,8 mil milhões de impressões. O tom geral da cobertura manteve-se relativamente estável: 41% positivo, 50% neutro, 9% negativo

O tema dominante passou claramente a ser o desempenho desportivo e os resultados em campo, representando 45% de toda a amostra analisada. Esta constitui a principal mudança relativamente ao período anterior ao início da competição. Os resultados dos jogos passaram a liderar a narrativa mediática, embora os acontecimentos extradesportivos continuem a influenciar cerca de 12% da cobertura.

Visibilidade das Seleções

Quem está realmente a conquistar cobertura mediática e porquê? A Argentina liderou a cobertura editorial com 1,02 milhões de referências. A análise demonstra que este resultado foi impulsionado menos pela seleção argentina em si e muito mais pela narrativa construída em torno de Lionel Messi. . Sendo a Argentina a 8.ª classificada do ranking FIFA, seria expectável que representasse aproximadamente 3,7% da cobertura mediática, considerando apenas o seu peso desportivo. Na realidade, alcançou 13,7% da cobertura, o que representa um excedente de 10 pontos percentuais, equivalente a cerca de 745 mil referências adicionais relativamente ao que seria esperado com base no ranking FIFA. Sem a semana histórica protagonizada por Messi, é provável que este diferencial desaparecesse praticamente por completo.

O México liderou a conversa global quando se analisam todas as plataformas em conjunto, atingindo 1,4 milhões de menções, mas ficou significativamente atrás da Argentina na cobertura editorial. Na camada editorial — responsável por gerar cerca de 594 mil milhões de impressões potenciais — o México surge apenas como a quinta seleção mais referenciada. A sua liderança nas redes sociais é inequívoca e foi impulsionada sobretudo pela cultura dos adeptos e pelo fenómeno viral do Merlin, o pato que se tornou mascote informal da seleção mexicana. No entanto, estes elementos não se traduziram numa cobertura editorial consistente, normalmente necessária para garantir uma posição de destaque entre as seleções mais mediáticas.

O Marrocos constitui o caso mais subvalorizado identificado nesta análise. Apesar de ocupar a 4.ª posição do ranking FIFA e de ter derrotado a Escócia, a seleção marroquina representou apenas 2% da quota total de cobertura mediática. O défice de 4,8 pontos percentuais é particularmente expressivo para uma equipa desta dimensão competitiva e demonstra que a conversa mediática continua a atribuir menos atenção do que seria expectável a uma das seleções mais fortes do torneio.

Três conclusões destacam-se de forma clara:

O excedente de +3,8 pontos percentuais registado pela Argélia demonstra como a proximidade a uma grande narrativa pode aumentar significativamente a visibilidade de uma equipa. Classificada em 27.º lugar do ranking FIFA, a Argélia recebeu quase cinco vezes mais cobertura do que seria previsível. Este aumento não resultou do seu desempenho desportivo, mas sim do facto de ter defrontado a Argentina. Trata-se de um exemplo claro de “contágio narrativo”: a atenção mediática gerada por uma seleção é determinada não pelo que fez em campo, mas pelo adversário que enfrentou.

O défice de 21,8 pontos percentuais registado pelo México constitui a conclusão mais surpreendente desta análise. Sendo a seleção número um do ranking FIFA, seria expectável que concentrasse perto de 30% de toda a cobertura editorial. Na prática, obteve apenas 7,9%. A explicação reside na diferença entre redes sociais e meios de comunicação tradicionais. O México domina claramente a conversa digital graças ao entusiasmo dos adeptos e ao fenómeno Merlin, mas essa notoriedade não se traduz em artigos jornalísticos consistentes — precisamente o formato responsável por gerar o maior alcance mediático.

Apesar da vitória por 3-0 frente à Escócia, o Brasil apresentou um défice de 10,4 pontos percentuais relativamente à cobertura que seria expectável. Este caso demonstra que o desempenho dentro de campo e a atenção mediática não são necessariamente proporcionais. Embora tenha conseguido um triunfo confortável, o Brasil continuou cerca de 10 pontos percentuais abaixo da quota de cobertura prevista de acordo com a sua posição no ranking FIFA.

Visibilidade dos Jogadores: A semana dos dois recordes

Poucas semanas ilustram tão bem a diferença entre visibilidade construída pelo legado e visibilidade conquistada pelo desempenho.

Lionel Messi, com 2,95 milhões de menções, e Cristiano Ronaldo, com 1,78 milhões, representaram, em conjunto, mais de 60% de todas as referências a jogadores registadas durante o período analisado. Os restantes oito jogadores que compõem o Top 10 repartiram entre si os cerca de 40% restantes. Ambos bateram recordes históricos do Campeonato do Mundo com apenas 36 horas de diferença, criando uma disputa editorial direta entre duas das maiores figuras da história do futebol. Os dados confirmam que ambos ultrapassaram um milhão de menções durante esta janela temporal. Contudo, do ponto de vista analítico, o caso mais interessante da semana foi o de Harry Kane.

O crescimento de Alex Freeman foi o caso mais surpreendente identificado na análise. Antes do golo frente à Austrália, o jogador acumulava cerca de 5.100 menções. Nos seis dias seguintes, esse número aumentou para 13.800, representando um crescimento de 171%. A visibilidade não foi explicada apenas pelo golo. A reportagem da ESPN sobre a sua história familiar, a forma como a FIFA apresentou o momento como um verdadeiro “ciclo que se completa”, e o interesse demonstrado por públicos habituados à NFL fizeram com que a sua notoriedade ultrapassasse largamente o universo do futebol.

O guarda-redes de Cabo Verde, Vozinha, representa o maior desalinhamento entre notoriedade e envolvimento encontrado nesta análise. Registou 59.712 menções, mas apenas 59.700 interações nas redes sociais, praticamente uma relação de 1:1. Ou seja, o jogador está a gerar reconhecimento, mas essa atenção não se traduz em partilhas, comentários ou outras formas de amplificação digital. Para efeitos de comparação, Lionel Messi apresentou uma relação próxima de 35 interações por cada menção. A história de Vozinha é uma das mais interessantes deste Campeonato do Mundo, mas continua a permanecer relativamente nicho quando analisada através dos indicadores de engagement.

O caso de Harry Kane foi, contudo, o mais revelador do ponto de vista analítico.

Kane iniciou a semana com 45.821 menções acumuladas ao longo dos sete dias anteriores. Entre 17 e 24 de junho, esse número disparou para 1.458.141 menções, representando um crescimento de 3.082%.

Só entre os dias 17 e 18 de junho, registaram-se 61.985 menções num único dia, ultrapassando o total acumulado durante toda a semana anterior.

Este primeiro pico resultou dos dois golos marcados frente à Croácia, que lhe permitiram igualar o recorde de Gary Lineker como melhor marcador inglês em Campeonatos do Mundo, com 10 golos. Seis dias mais tarde, um falhanço na pequena área frente ao Gana originou um segundo pico de cobertura, desta vez por razões completamente diferentes.

Em menos de uma semana, Kane passou de herói nacional a jogador mais escrutinado da jornada. A sua cobertura mediática dividiu-se claramente entre: um forte pico de sentimento positivo, associado ao recorde alcançado; um segundo pico marcado por enquadramentos predominantemente negativos, após a oportunidade desperdiçada. Poucos jogadores ilustram tão bem a rapidez com que a narrativa mediática pode mudar durante um Campeonato do Mundo.

Conversa em torno dos Jogos: O que revela a evolução diária da cobertura

O indicador mais relevante para avaliar a importância mediática de um jogo não é o pico de cobertura alcançado no dia da partida. O verdadeiro valor está em perceber se essa narrativa consegue manter-se viva nos dias seguintes.

O encontro entre Argentina e Áustria gerou o maior pico diário de cobertura da semana, com 895 artigos publicados apenas a 22 de junho. Quase toda esta atenção foi impulsionada pelo recorde alcançado por Lionel Messi. No dia seguinte, a cobertura manteve-se elevada, com 373 artigos, antes de cair para 87 artigos a 24 de junho. Trata-se de um exemplo clássico de um momento histórico de enorme impacto imediato, seguido por um declínio relativamente rápido da atenção mediática.
Inglaterra vs. Croácia – Este foi o jogo que gerou a narrativa mais duradoura. A cobertura atingiu 805 artigos no dia do jogo e manteve-se praticamente inalterada no dia seguinte, com 699 artigos. Além disso, voltou a surgir nos dias 23 e 24 de junho, integrada em análises mais abrangentes sobre o torneio. Este tipo de comportamento demonstra que determinados jogos deixam de ser apenas um resultado desportivo para se tornarem uma referência permanente na narrativa mediática do Campeonato do Mundo.

Escócia vs. Marrocos – Este encontro ficou marcado pela controvérsia. No dia do jogo foram publicados 408 artigos, mas, surpreendentemente, a cobertura aumentou para 640 artigos após a partida. Esta inversão demonstra que o principal foco mediático deixou de ser o resultado e passou a centrar-se na polémica relacionada com a arbitragem.

Canadá vs. Qatar – Este foi o comportamento mais invulgar observado durante a semana. O jogo originou apenas 114 artigos no próprio dia. Contudo, a cobertura aumentou para 398 artigos a 24 de junho. Este crescimento tardio ocorreu quando coincidiram duas narrativas: a qualificação do Canadá para a fase seguinte e as notícias sobre a recuperação de Koné.

Estados Unidos vs. Austrália – Este encontro gerou um pico de atenção concentrado em apenas dois dias. Foram publicados 696 artigos no dia do jogo e 578 artigos no dia seguinte. Posteriormente, a cobertura diminuiu de forma acentuada. A lesão de Christian Pulisic e o golo de Alex Freeman sustentaram a narrativa durante um curto período, mas não conseguiram prolongar o interesse mediático.

Redes Sociais: Hashtags e a divergência entre os media e os adeptos

Three viral moments illustrate where fan platforms diverge from journalist platforms:

O fenómeno Merlin, o pato associado à seleção mexicana, transformou-se esta semana numa história de dimensão internacional. A sua proprietária, Karla Gómez, vendedora ambulante, foi convidada para participar na conferência de imprensa da Presidente Claudia Sheinbaum, realizada no Palácio Nacional, a 22 de junho. Durante essa intervenção, Sheinbaum nomeou Merlin como embaixador não oficial da Cidade do México. A história foi posteriormente destacada por vários meios internacionais, incluindo NBC News, Reuters, Washington Post e Today.com. Também a FIFA e a seleção mexicana publicaram conteúdos sobre Merlin nas suas contas oficiais de Instagram. Os conteúdos associados às hashtags #PatoMerlin e à expressão “Viva El Pato” geraram mais de 85 mil publicações identificadas, espalhando-se muito para além da comunidade futebolística. Curiosamente, esta narrativa foi determinante para explicar as 1,4 milhões de menções alcançadas pelo México nas plataformas digitais, apesar de praticamente não ter originado qualquer cobertura tática ou análise desportiva nos meios tradicionais.

A Tartan Army conquistou Miami – A presença dos adeptos escoceses em Miami originou uma das histórias de cultura de adeptos mais consistentes de toda a semana. Estima-se que cerca de 8.000 adeptos da Escócia tenham desfilado pelas ruas de Little Havana, no dia 22 de junho, entoando cânticos nas imediações do LoanDepot Park, enquanto os jogadores escoceses assistiam em conjunto ao encontro da Argentina. Esta mobilização foi amplamente coberta por meios como ESPN, WLRN, Miami Herald, ABC News e diversos órgãos de comunicação britânicos. Outro elemento que reforçou esta narrativa foi a chegada de Craig Ferguson, que concluiu nessa mesma semana uma caminhada de aproximadamente 5.600 quilómetros (3.500 milhas) entre Los Angeles e Boston, realizada para angariar fundos para a organização SAMH. Mesmo após a derrota da Escócia por 3-0 frente ao Brasil, a 24 de junho, a história dos adeptos continuou a gerar cobertura mediática. Com cerca de 50.000 escoceses presentes no torneio, a experiência dos adeptos revelou-se uma narrativa mais duradoura do que o próprio resultado desportivo.

A polémica da bandeira do Irão continuou a crescer – A controvérsia em torno da utilização da bandeira do Leão e Sol do Irão manteve-se como uma das maiores histórias extradesportivas do Mundial. Segundo dados da Visibrain, os vídeos publicados no TikTok sobre esta polémica ultrapassaram 36 milhões de visualizações. Este foi o maior alcance registado por qualquer tema não diretamente relacionado com futebol durante o torneio. Os dados demonstram que, quando um tema envolve identidade nacional, política e liberdade de expressão, as redes sociais conseguem amplificar a conversa muito para além daquilo que é refletido pela cobertura jornalística tradicional. Embora os temas controversos representem apenas 12% da quota de cobertura mediática, o seu impacto nas plataformas sociais é significativamente superior.

Enquanto #FIFA registou cerca de 3,8 milhões de utilizações, a hashtag oficial #FIFAWorldCup ficou pelas 475 mil utilizações. Isto significa que a identidade digital oficial do torneio está a ser utilizada apenas cerca de um oitavo da frequência da hashtag genérica #FIFA. Na prática, a maior parte da conversa dos adeptos acontece fora da infraestrutura oficial de comunicação do torneio. Os utilizadores preferem hashtags mais curtas, mais fáceis de utilizar e mais favorecidas pelos algoritmos das plataformas, sobretudo em conteúdos produzidos por fãs, vídeos de reação e memes. A conversa orgânica dos adeptos e a comunicação oficial da competição representam, por isso, dois universos distintos, com comportamentos e dinâmicas próprias.

Temas: Sobre o Que Fala Realmente a Cobertura?

O desempenho desportivo, representando 45% da cobertura analisada, e a visibilidade de jogadores e seleções, com 28%, totalizam praticamente três quartos de todos os conteúdos classificados.

Este padrão era esperado, uma vez que o torneio já se encontra plenamente em competição e os resultados em campo passaram a dominar a agenda mediática. No entanto, um dos dados mais interessantes surge na categoria Cultura, Comunidade e Experiência dos Adeptos, responsável por 9% da cobertura. Grande parte deste volume foi impulsionada pelas histórias da Tartan Army e de Merlin, o pato mexicano. Ao contrário dos temas relacionados com controvérsias ou problemas organizacionais, estas são narrativas de soft power, que mostram a forma como o Mundial está a ser vivido e recebido pelos adeptos em diferentes países. É provável, contudo, que este peso de 9% subestime o verdadeiro impacto destas histórias. Os conteúdos publicados no TikTok e no Instagram geram milhões de visualizações, mas dão origem a um número relativamente reduzido de artigos jornalísticos, o que limita a sua representação nas métricas tradicionais de media intelligence.

Além disso, os temas relacionados com acesso aos jogos, governação e imigração representam, em conjunto, cerca de 6% da cobertura codificada, um valor inferior aos 12% registados na métrica global de influência dos temas controversos, uma vez que esta última inclui também artigos em que essas questões aparecem apenas como enquadramento secundário.

Influência dos Temas Controversos: Menor volume, maior impacto negativo

A influência dos temas controversos diminuiu de 20% para 12% em comparação com a semana anterior. Esta evolução era expectável.

À medida que o torneio avança e os resultados desportivos se acumulam, estes passam naturalmente a dominar a agenda editorial, reduzindo o espaço dedicado a questões paralelas. No entanto, mais importante do que o volume é a forma como estas notícias são enquadradas. Dos 155 artigos classificados nesta semana como relacionados com temas controversos, 107 apresentaram um enquadramento negativo. Isto significa que 69% deste tipo de cobertura teve um tom negativo, uma percentagem muito superior aos 9% de negatividade registados no conjunto da cobertura da semana. Esta diferença sugere que os temas que continuam a merecer atenção, mesmo durante uma fase intensa da competição, representam preocupações reputacionais reais e não apenas especulação típica do período anterior ao evento.

Entre os assuntos que continuam a gerar cobertura destacam-se: a situação da seleção do Irão, incluindo a recusa de vistos a elementos da equipa técnica e a polémica em torno da utilização da bandeira do Leão e Sol; a cobertura relacionada com operações de fiscalização da imigração nas imediações dos estádios; o debate em torno do preço e da acessibilidade dos bilhetes. No caso específico da controvérsia da bandeira iraniana, a persistência da cobertura explica-se pela conjugação de três fatores: políticas aplicadas dentro dos estádios; identidade da diáspora iraniana; liberdade de expressão. A combinação destes elementos permite que a história continue a gerar novos ângulos editoriais, mesmo sem surgirem desenvolvimentos significativos.

Conclusões CARMA

A principal questão a que qualquer relatório de Media Intelligence deve responder é simples: > Uma seleção está a conquistar cobertura mediática pelo que fez dentro de campo ou apesar do que fez dentro de campo?

Os dados desta semana fornecem respostas muito claras para três seleções.

A Argentina liderou a cobertura editorial com 1,02 milhões de referências, registando simultaneamente o maior excedente de cobertura da semana (+10 pontos percentuais). Este resultado não decorre da sua posição no ranking FIFA nem do facto de ser considerada a principal favorita à vitória. A verdadeira explicação reside em Lionel Messi. Os recordes históricos alcançados pelo jogador alimentaram uma infraestrutura mediática global preparada para amplificar precisamente este tipo de momentos. Em consequência, o domínio mediático da Argentina foi, acima de tudo, a história de um jogador contada através da camisola de uma seleção.

A Inglaterra registou um excedente de cobertura de +8,2 pontos percentuais, mas, ao contrário da Argentina, este crescimento revelou-se mais consistente e sustentável. A narrativa mediática distribuiu-se por diversos fatores: desempenhos individuais; análise tática; reação da imprensa internacional; expectativas em torno da equipa. Mesmo uma exibição menos conseguida frente ao Gana continuou a gerar elevados níveis de cobertura, demonstrando que a narrativa em torno da seleção inglesa já se encontrava consolidada.

O défice de 21,8 pontos percentuais registado pelo México constitui talvez a conclusão mais útil para compreender a diferença entre os media tradicionais e as redes sociais. O México foi: a seleção com mais menções em todas as plataformas; protagonista do momento viral mais marcante da semana; uma equipa com um percurso perfeito na fase de grupos. Apesar disso, na camada editorial responsável pela maior parte do alcance mediático, ocupou apenas a quinta posição. O estatuto de país anfitrião gera naturalmente enorme interesse junto do público. Contudo, esse interesse não garante, por si só, uma cobertura jornalística profunda e consistente.

As três grandes aprendizagens desta semana. As três perspetivas analíticas que estruturam este relatório produziram conclusões particularmente relevantes. Excedente de cobertura – Permitiu identificar as seleções cuja notoriedade mediática foi impulsionada mais pela narrativa construída à sua volta do que pela sua posição competitiva. Diferença entre media e redes sociais – Demonstrou que a seleção que lidera a conversa digital (México) não coincide com aquela que domina a cobertura editorial (Argentina). Além disso, ambas alcançaram essa visibilidade através de narrativas completamente distintas. Persistência da narrativa – Permitiu distinguir os jogos que permaneceram relevantes durante vários dias — como Inglaterra vs. Croácia e Escócia vs. Marrocos — daqueles que produziram apenas um pico momentâneo de atenção e desapareceram da agenda mediática em menos de 48 horas.

Metodologia:Esta análise baseia-se na monitorização realizada pela CARMA sobre a cobertura do Campeonato do Mundo FIFA 2026 entre 17 e 24 de junho de 2026. Foram analisados conteúdos provenientes de: meios de comunicação online, imprensa, televisão, rádio e podcasts e redes sociais. Os indicadores quantitativos resultam dos dados recolhidos através da plataforma CARMA Insight durante o período em análise. O modelo de excedente/défice de cobertura compara a quota efetiva de cobertura obtida por cada seleção com a quota esperada, calculada a partir da posição de cada equipa no ranking FIFA, considerando 19 seleções monitorizadas. A análise da influência dos temas controversos baseia-se numa amostra codificada de 1.544 artigos. As análises de evolução temporal dos jogos resultam da monitorização detalhada dos artigos publicados relativamente aos cinco encontros considerados prioritários.

Período analisado: 17–24 de junho de 2026 | Fase da competição: Fase de Grupos – Jornadas 2 e 3 | Mercados analisados: Global, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá.

Os gráficos de evolução diária abrangem um período mais alargado (15 a 25 de junho), permitindo observar com maior detalhe os picos, quebras e a continuidade da cobertura mediática em torno de cada jogo analisado.